Suplementação vitamínica

Organismo sem vitamina não funciona corretamente. As vitaminas desempenham um papel fundamental no controle das células e de diversas funções do nosso corpo, mas não são fabricadas por ele. Isso quer dizer que a atenção ao cardápio é fundamental: frutas e verduras são os alimentos que mais contêm esses princípios nutritivos.

Acontece que, como tudo na vida, não dá para exagerar. A quantidade de vitaminas para equilibrar as necessidades diárias varia conforme o metabolismo, o equilíbrio da flora intestinal e a qualidade de absorção de cada pessoa. Por esse motivo, é tão importante discutir a questão da suplementação.

Os alimentos naturais fornecem as vitaminas que o organismo precisa, mas, ainda assim, muita gente no mundo faz uso de suplementação vitamínica. O que essas pessoas não sabem é que, além de desperdício de dinheiro, isso pode colocar a saúde em risco! Claro que existem dietas que precisam de suplementos específicos, mas o consumo sem supervisão não é nada legal…

“O meu café da manhã são seis comprimidos de vitaminas”.

Conhece alguém que faz isso? Esse alguém pode estar se expondo a riscos absolutamente desnecessários!

Muitas pesquisas apontam para isso. Vou falar um pouco mais sobre uma delas hoje.

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Pesquisadores da Ohio State University, nos Estados Unidos, avaliaram o consumo elevado de vitaminas B6 e B12. O estudo publicado em agosto no Journal of Clinical Oncology sugere que a suplementação de altas doses dessas duas vitaminas, durante um longo período, pode estar associada a um aumento de risco de dois a quatro vezes mais de câncer de pulmão nos homens.

O estudo de coorte Vitamins And Lifestyke (VITAL) é o primeiro estudo prospectivo observacional de longo prazo relacionado ao tema. Entre 2000 e 2002, em Washington, foram avaliadas 77.128 pessoas de 50 a 76 anos. Os pesquisadores usaram a base do autorrelato, na qual os participantes responderam a questionários sobre uso dos suplementos e hábitos alimentares referentes aos dez anos anteriores. Foram utilizadas técnicas de estatísticas como idade, raça, tamanho corporal, histórico de tabagismo, histórico de câncer e consumo de álcool e drogas inflamatórias.

Os dados mostraram que os participantes do sexo masculino, principalmente os fumantes, que ingeriram altas doses de vitaminas B6 e B12 por 10 anos tiveram entre 30% e 40% chances a mais de ter câncer de pulmão. Isso não foi observado nas mulheres avaliadas.

No entanto, os pesquisadores reforçam que essas conclusões são baseadas em doses de vitaminas muito altas. Durante dez anos, os homens tomaram 20g de vitamina B6 por dia (o recomendado é 1,7mg diária) e 55g de B12 (o recomendado é 2,4g).

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Esse estudo é apenas um recorte, mas reforça a tese de que não devemos usar suplementos vitamínicos sem que exista uma carência nutricional.

Usar por usar não agrega.

Se você acha que anda precisando de vitamina as opções devem ser: mudar a dieta e procurar um médico!

Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano