Precisamos falar sobre obesidade

Obesidade é um assunto muito sério e já faz tempo que quero escrever sobre isso aqui no blog, porque nada melhor do que a Internet para dar alcance a um tema tão importante.

A doença é multifatorial e precisa ser tratada em vários aspectos – inclusive a questão emocional. Não é um problema estético. É saúde pública. Virou epidemia mundial. Lidar com o preconceito e os estigmas sociais torna tudo ainda pior.

Vou explicar o efeito do sobrepeso no corpo:

Os indivíduos obesos têm acúmulo excessivo de gordura no organismo. A gordura é estocada pelo tecido adiposo, que também produz hormônios e moléculas que acabam gerando processos inflamatórios no corpo. Por isso, essas pessoas têm mais propensão para desenvolver doenças cardiovasculares, pressão alta, diabetes, câncer, entre outros problemas.

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Muitos estudos já foram e estão sendo feitos na área para descobrir quais as principais razões por trás dessa epidemia. Alguns dizem que os macronutrientes alimentares individuais são os grandes culpados, mas o fator preponderante, segundo muitos pesquisadores, é a mudança dos hábitos alimentares nas últimas décadas. O consumo de alimentos se transformou com o sistema industrializado.

O que isso significa?

Que a epidemia da obesidade é reflexo de uma mudança cultural de ambiente.

É o que diz um artigo publicado esse mês na revista Obesity Research. Segundo o pesquisador Kevin Hall “o obesidade provavelmente resultou de mudanças na quantidade calórica e na qualidade do suprimento de alimentos em conjunto com um sistema alimentar industrializado que produziu e comercializou alimentos convenientes e altamente processados a partir de insumos agrícolas baratos. Esses alimentos geralmente contêm altas quantidades de aditivos de sal, açúcares, gorduras e sabor e são projetados para ter propriedades apetitivas supernormais, gerando maior consumo. O acesso ubíquo a alimentos convenientes e baratos também mudou o comportamento alimentar normativo, com mais gente comendo em restaurantes e gastando menos tempo preparando refeições em casa”.

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Mais detalhes

Além de relacionar a qualidade dos alimentos à epidemia, o artigo também lista outros fatores que podem ou não ter influência nesse contexto. O texto traz explicações que se concentram em aspectos do ambiente alimentar, incluindo a composição dietética de macronutrientes e o conteúdo de energia.

Sobre os carboidratos, por exemplo, diz:

“O modelo de insulina de carboidratos da obesidade postula que os carboidratos alimentares engordam devido à sua propensão para elevar a secreção de insulina e, assim, aumentar a gordura direta em relação ao armazenamento em tecido adiposo e longe da oxidação por tecidos metabolicamente ativos. Essas mudanças na partição de energia foram postuladas para diminuir o gasto de energia e aumentar a fome, levando ao desenvolvimento da obesidade. No entanto, testes experimentais do modelo de hidrato de carbono e insulina usando dietas isocalóricas amplamente variáveis ​​em carboidratos e gorduras não suportam as previsões do modelo-chave quanto às mudanças no gasto de energia e na gordura corporal. Mas, é possível que o aumento dos hidratos de carbono no fornecimento de alimentos, particularmente carboidratos refinados, tenha contribuído para a epidemia de obesidade, aumentando a ingestão calórica global”.

Também cita as calorias:

“Estudos experimentais em seres humanos demonstram que aumentar a quantidade total de alimentos disponíveis para consumo leva ao aumento da ingestão de energia ad libitum. Globalmente, o aumento da disponibilidade de energia alimentar per capita está positivamente correlacionado com o aumento de peso entre as nações e a magnitude do aumento é mais do que suficiente para explicar o aumento de peso observado em 80% das nações. Assim, o aumento da disponibilidade de energia no abastecimento de alimentos é provavelmente um importante motor da epidemia de obesidade”.

Conclusão

De maneira geral, o pesquisador diz que é não é possível obter uma demonstração científica definitiva da epidemia da obesidade, porque as mudanças ambientais da população são difíceis de isolar e manipular experimentalmente. E acrescenta: “É mais fácil excluir explicações simples da obesidade, como as baseadas em macronutrientes alimentares individuais. Explicações mais plausíveis invocam mudanças complexas no ambiente alimentar geral e as alterações associadas nos comportamentos alimentares normativos. Além disso, uma confluência de múltiplas mudanças ambientais inter-relacionadas, além do ambiente alimentar, como a diminuição da atividade física ocupacional, provavelmente desempenharam importantes papeis moderadores no desenvolvimento da epidemia de obesidade”.

Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano