Oxidação de gordura pelo exercício físico.

A lipase sensível a hormônios regula a hidrólise de triglicerídeos no tecido adiposo e tecido muscular esquelético. Diversos hormônios atuam nesse papel estimulador da LSH. As catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), hormônio do crescimento, testosterona, glucagon e cortisol são alguns exemplos.  Esses hormônios podem ser classificados como catabólicos para triglicerídeos nos diferentes tecidos.  Sem dúvida alguma a atividade física pode modular (alterar) os níveis hormonais a fim de manter as necessidades de fornecimento de energia durante sua pratica. Essa modulação vai depender de vários fatores:

1° Estado alimentar do sujeito;

temos alterações na secreção de hormônios se o sujeito fez uma refeição ou esta em jejum. No caso do estado alimentado, a composição da alimentação influencia na magnitude de liberação dos diferentes hormônios. Uma refeição rica em carboidratos e proteínas tem papel estimulante de insulina, o que faz uma estimulação da LLP e uma inibição da LSH. Uma refeição rica em gorduras tem um impacto inflamatório no organismo gerando muitas vezes uma liberação maior de cortisol. Em estado de jejum vamos ter outros hormônios sendo liberados, como cortisol e principalmente glucagon para manter os níveis mínimos de glicose no sangue.

2° O tipo de exercício usado;

A prescrição de exercício influencia profundamente na magnitude secretória de hormônios no organismo humano. A quantidade de massa muscular envolvida na atividade determina quais são os hormônios secretados e a magnitude de secreção. Quando envolvemos grandes volumes musculares na atividade vamos ter, por exemplo, a secreção de hormônio do crescimento. 

3° a intensidade da atividade;

Sem dúvida alguma a intensidade que realizamos determinada atividade modula fortemente a liberação de hormônios. Em atividades de alta intensidade e por consequência pouca duração (ninguém aguenta a alta intensidade por muito tempo), vamos ter a secreção de hormônios como as catecolaminas, cortisol e GH, por exemplo. Não quer dizer que não há secreção de outros hormônios, são apenas alguns exemplos. Em atividades de menor intensidade a secreção desses hormônios vai acontecer, mas vão aparecer em maior quantidade conforme a duração da atividade se prolonga.

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Estudo publicado em janeiro de 2003 teve como objetivo verificar a estimulação e a resposta das lipases em tecido muscular esquelético em diferentes intensidades de exercício. Eles selecionaram 8 sujeitos do sexo masculino que realizaram atividade de ciclismo durante 10 minutos em intensidade que variaram de 30 – 60 e 90% do consumo máximo de oxigênio (VO2máx).  Para analisar a atividade das lipases foi realizada biopsia (coleta) de pequeno pedaço de músculo antes da atividade, 1 minuto após e 10 minutos após a realização do protocolo. Veja a como foi complexo o estudo, os sujeitos tinham que ser submetidos a diversas coletas de músculo ao longo do processo.  Os pesquisadores verificaram que a atividade da LSH aumenta após as atividades em intensidade de 30 e 60% do VO2máx  e permanece alta na coleta 10 minutos depois.  O mais interessante é que quando foi analisada a intensidade de 90% os valores de atividade da LSH reduziu no minuto 1 e minuto 10 após a atividade. Os autores acreditam que fatores relacionados a metabólitos gerados por intensidades menores possam regular também a atividade da LSH intramuscular e não apenas os valores hormonais aumentando a liberação de ácidos graxos intramusculares para participar do fornecimento de energia.

Com base nesse estudo, será mesmo que atividades de baixa intensidade e longa duração seriam piores para oxidação de gordura quando comparadas a “nova” tendência de acreditar que alta intensidade possa ser mais eficiente? Eu tenho batido na tecla de que para a maioria dos casos o trabalho total seja mais importante que a intensidade da atividade. Em alguns casos específicos podemos verificar influencia da intensidade baixa como vantagem e em outras a influencia da alta intensidade como sendo mais importante. Mas no geral e para maioria das pessoas, o fazer é muito mais importante do que pensar no que fazer. A aderência passa a ser o grande desafio para se alcançar os objetivos de saúde e desempenho físico.

(http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2342617/)

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