Nutrição faz diferença no desempenho?

Há muitos e muitos anos, se busca estratégias e auxiliares no desempenho físico. Entretanto, se engana quem acredita que isso é apenas utilizado na atual modernidade. Relatos do escritor Philostratus, dizem que os atletas na Grécia Antiga já recorriam a recursos para auxiliar nas habilidades. Claro que não era algo tão moderno, mas eles faziam isso ingerindo chás compostos por ervas e também a ingestão de cogumelos (tudo maluco) para melhorar suas marcas.

Entretanto, com o passar dos anos, diversas novas substâncias foram sendo descobertas e utilizadas para esse fim, desde naturais até compostos sintéticos. Porém, ao mesmo passo, temos diversos estudos ainda hoje para a utilização nutricional sem possíveis colaterais para a saúde do competidor e que ao mesmo tempo não fossem considerados doping.

Mas afinal, existe um composto ou possível substância que possa atender essa demanda?

Para a alegria de diversos competidores ou atletas recreacionais, a ciência se torna um importante norte para o desenvolvimento do esporte. Um estudo coordenado por HOTTENROTT e colaboradores, publicado em 16 de maio de 2012, teve a finalidade de comparar uma “Nutrição Científica”.

Essa estratégia foi desenvolvida por meio de análise de diversos estudos, resultando em um composto líquido com a finalidade de hidratação e melhora no desempenho de atletas de longa duração, quando comparado a uma nutrição normal durante um teste. Após terem feito a revisão da literatura eles desenvolveram então a “nutrição científica” para comprar com a nutrição convencional.

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O estudo principal então contou com 18 ciclistas de resistência (16 homens e 2 mulheres) com média de treinamento semanal de 12 a 17 horas, que foram randomizados para receber 2 tipos diferentes de estratégia nutricional durante o teste.

Estratégia A

Nutrição autônoma livre, composta pelo consumo de géis energéticos, barras, bebidas e alimentos diversos.

Estratégia B

Nutrição científica, composta por 1000ml por hora, sendo divido em porções de 250mL a cada 15 min de prova, onde cada porção era composto por 0,5g de sódio/L; 60g de glicose/h; 30g de frutose/h e 5mg de cafeína por kg de massa corporal.

Por ser um estudo randomizado com desenho cruzado, os grupos recebiam sua refeição e realizavam o teste e após um intervalo de 2 semanas, os grupos repetiam os testes, porém, utilizando a outra nutrição, permitindo assim a comparação de qual estratégia traria resultados efetivos no desempenho.

O teste de performance foi mensurado em bicicleta ergométrica, com intensidade variando conforme o protocolo, com potência máxima até 70% de VO2 máximo, com a finalidade de pedalar por 64km.

Em comparação com os 2 grupos (A e B), vamos aos dados obtidos:

Por meio das análises dos dados obtidos, uma “nutrição científica”, ou seja, com respaldo da ciência e dados de estudos como base, teve um resultado positivo de forma significativa quando comparado a uma nutrição livre e sem base científica.

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A estratégia B teve um aumento de aproximadamente 6% na melhora do desempenho físico e 15% na potência média durante o teste ao comparar com nutrição convencional. Além disso, a estratégia da “nutrição científica” teve um maior consumo de líquidos; menor produção e densidade de urina durante o teste; maior consumo calórico; maior consumo de sódio; entretanto, aumento na produção de lactato de vido a maior potência do teste.

Portanto, antes de dizer que nutrição não funciona ou que sabe fazer as coisas sozinho, pense nesses resultados. Procure profissionais gabaritados para acompanhar seu treinamento e sua dieta. Invista em profissionais que sejam científicos de verdade, que tenham vínculo com desenvolvimento de estratégias, que participam de eventos científicos e gabaritados. Se você fizer isso irá estar em boas mãos e com resultados esportivos melhores.

Abraço e bons treinamentos.

Artigo original >>> https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22587540

Att. Dr. Andre Lopes.