Método agonista-antagonista: o jeito certo de fazer

Bíceps e tríceps, quadrícipes e isquiotibiais, peito e costas são músculos agonistas e antagonistas que, estimulados em sequência no exercício físico, potencializam o tempo de treino. Esse método tem particularidades que precisam ser levadas em conta. Ele impõe ao organismo um grande acúmulo de metabólitos e uma intensidade relativa bastante alta. E, como trabalha com alto fluxo sanguíneo numa região específica do corpo, gera maior acúmulo metabólico, e pode ser muito interessante para fins de emagrecimento.

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Nem todas as pessoas conseguem excelentes resultados com esses exercícios, mas, quando aplicados no contexto correto, eles podem sim ser muito eficientes. Quer saber como? Aqui vão alguns passos fundamentais nesse processo:

1 – Escolha dos exercícios: esse talvez seja o ponto mais crítico ao escolher o método. Se o exercício estiver errado, os resultados também vão estar. Imagine, por exemplo, que você optou por fazer o agonista-antagonista com dorsais e peitoral. Para começar, usou a puxada alta por trás da cabeça e, na sequência, o supino reto. Sabe o que acontece neste caso? Uma sobrecarga enorme em cima do peitoral (que é adutor do ombro, e, portanto, participa dos dois movimentos) e uma sobrecarga menor nos dorsais. O mesmo vale para o agonista-antagonista no treino de coxas. Agachamento em afundo seguido de stiff significa uma sobrecarga enorme nos isquiotibiais e baixa no quadríceps. Compreender biomecânica e cinesiologia é fundamental para usar o método de maneira correta. Caso contrário, irão aparecer desequilíbrios musculares e seu desenvolvimento estará comprometido.

2 – Estímulo a ser utilizado: esse método é adequado para estímulos mais metabólicos, já que o tempo total de tensão muscular é maior. Se o seu objetivo for aumento de força ou estímulos tensionais mais elevados, o ideal é usar outros métodos. É muito importante ter clareza sobre o tipo de estímulo do exercício, porque nem todos são adequados para o método agonista-antagonista.

3 – Intervalo recuperativo: ponto chave da utilização desse método. É preciso levar em conta que, quando você está exercitando determinado músculo e, na sequência, passa a usar o antagonista sem pausa, está mantendo o primeiro músculo em estado de tensão. De fato, é uma tensão menor, mas ainda assim ele está sendo solicitado. Por isso, o intervalo de recuperação é tão fundamental. E também é bem importante na hora de escolher o estímulo a ser empregado.

4 – Tempo de utilização: por mais que seja um treino intenso e que produz bons resultados, o agonista-antagonista não pode ser usado o tempo todo. A periodização precisa ser montada com esta perspectiva. O método deve ser usado na fase em que se busca maior intensidade no treino. Já nas fases mais básicas, ele pode causar problemas. É muito importante entender que nenhum método pode ser usado como único para o treinamento de força, porque todos eles têm vantagens e desvantagens. A mudança de estímulos é fundamental.

5 – Técnica de movimento:  é comum ver pessoas que usam o agonista-antagonista e acabam perdendo a técnica do movimento, principalmente na parte final do treino. Como o método causa fadiga central e periférica de maneira mais acentuada em relação a outros, é importante ter cuidado com a execução e técnica de cada movimento. Se for necessário, reduza a carga, mas jamais faça um movimento errado!

De maneira geral, o método agonista-antagonista é bem completo para determinados objetivos e pode trazer conseqüência benéficas. Mas é preciso que seja bem planejado e seja feito dentro de uma periodização. Sem isso, ficará difícil obter qualidade no treino e bons resultados – regra válida para qualquer tipo de exercício.

Bom treino!

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