Estudo mostra que balança biológica ajuda a controlar a quantidade de gordura corporal

Uma boa notícia para futuros tratamentos da obesidade: a leptina ganhou um grande aliado no controle da quantidade de gordura corporal. Pelo menos é o que diz a mais recente descoberta sobre o tema publicada no ano passado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Pesquisadores suecos encontraram um mecanismo biológico que funciona como uma espécie de balança interna e usa as extremidades inferiores para determinar a massa corporal e controlar o apetite.

Antes de falar sobre o estudo, vamos do começo…

A leptina é um hormônio descoberto na década de 90 que também ajuda a regular a massa corporal. Ela age sobre o hipotálamo, uma área do cérebro responsável pelo apetite, peso e gasto energético. Vou explicar como isso acontece: comer aumenta os níveis de leptina. Isso gera um sinal para o cérebro avisando que já existe excesso de gordura e que é hora de diminuir a ingestão de comida. Por outro lado, se uma pessoa é resistente à leptina, continua comendo sem ter esse tipo de controle.

Voltando ao que interessa…

O sensor de massa corporal foi descoberto nos ossos longos das extremidades inferiores. Todos os dias as células dos ossos recebem uma carga parecida de peso. Quando a gente emagrece, a carga diminui, essa informação chega até as células e o cérebro identifica que o corpo precisa de mais alimento.

Os pesquisadores chegaram nesses resultados por meio de testes com animais (roedores). Claro que isso deve ser levado em consideração, mas o fato é que eles acreditam que essa mesma “balança” também existe nos humanos.

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A descoberta é bem interessante para a ciência. Nos testes, foram implantadas no abdômen ou costas de ratos adultos com obesidade induzida por dieta cápsulas que pesavam 15% da massa corporal. Os animais do grupo de controle receberam uma cápsula vazia com 3% da massa corporal. Os grupos foram monitorados diariamente/ou várias vezes por semana até o final dos experimentos.

Com o tempo, os ratos do grupo de carga começaram a comer menos, perderam gordura e essa perda foi igual aos valores dos pesos adicionados. Em resumo, os pesquisadores observaram que um mecanismo dentro do corpo detectava quando acontecia o aumento do peso e, automaticamente, trabalhava para voltar ao peso inicial.

Segundo o estudo, o mecanismo identificado “regula a massa gorda corporal independentemente da leptina derivada de gordura, revelando dois sistemas de feedback negativo independentes para a regulação da massa gordurosa. Sabe-se que os osteócitos podem sentir mudanças na tensão óssea. Neste estudo, o efeito de redução da massa corporal do aumento do carregamento foi perdido em camundongos empobrecidos de osteócitos. Propomos que o aumento da massa corporal ativa um sensor dependente dos osteócitos dos ossos portadores de peso. Isso induz um sinal aferente, o que reduz a massa corporal”.

Assim como o aumento de carga diminuiu o massa corporal, também foi observado que a diminuição do carregamento aumentou a massa, o que demonstra que o sensor é funcional nas duas direções.

Essa informação ajudou os pesquisadores a entender melhor como a obesidade se desenvolve em um paciente. E eles concluíram que é provável que os resultados expliquem a relação da obesidade com a prática de passar muito tempo sentado. Quando ficamos muito tempo nessa posição, nossa balança interna se engana e avisa ao hipolátamo que somos mais leves do que a realidade. Isso abre o apetite e faz com que as pessoas comam mais para que o organismo volte ao peso anterior.

É curioso né?

Como eu disse no início do texto, o estudo traz boas notícias para o tratamento contra a obesidade. Um dos caminhos possíveis são alternativas que levem em consideração essas células dos ossos (osteócitos). Não podemos fechar os olhos para isso.

Artigo original Body weight homeostat that regulates fat mass independently of leptin in rats and mice

Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano

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