Glutamina, altas cargas de treinamento e sistema imunológico

Fazer exercício físico é uma das formas mais documentadas pela ciência de manter a saúde. Entretanto, nem só de flores vive o mundo, temos ervas daninhas. Quando não são bem controladas, as cargas de treinamento têm função inversa no organismo humano. Sabe-se que o uso de cargas altas por uma sequência grande de tempo abre uma “janela imunológica”, ou seja, seu organismo fica mais suscetível a infecções.

Isso tudo pode ser minimizado quando se entende sobre treinamento físico, principalmente sobre as bases do treinamento e periodização. E, claro, que a fisiologia e a bioquímica andam juntas nessa jornada.

Muitos nutricionistas têm indicado o uso de Glutamina para resolver esse ponto de falta de habilidade na hora de prescrever cargas.

Glutamina é o aminoácido livre mais abundante no tecido muscular. Ele apresenta tantas funções importantes no organismo que seria impossível tratá-lo com toda categoria que merece nesta simples postagem. Cabe, apenas, destacar algumas funções: biossíntese de nucleotídeos, detoxificação da amônia, transferência de nitrogênio entre os órgãos, síntese de hexosaminas, síntese e degradação proteica, modulação da resposta inflamatória, síntese de glutationa, síntese do ácido g-aminobutírico (GABA), ureogênese e gliconeogênese, manutenção do balanço ácido-básico e nutriente energético para as células imunológicas e enterócitos.

Algumas dúvidas ainda pairam sobre o uso e efetividade da glutamina no sistema imune, principalmente quando se trata de uso oral.

Este estudo teve como objetivo determinar se a suplementação com o aminoácido glutamina, que supostamente influencia positivamente para evitar a imunodeficiência, iria alterar a função imune em atletas durante treinamento com cargas altas. 24 atletas foram distribuídos aleatoriamente (randomizados) em um grupo experimental (n = 12) ou um grupo controle (n = 12) e treinaram durante seis semanas com cargas altas. Os atletas do grupo experimental receberam 10g de glutamina por via oral uma vez por dia, enquanto os atletas do grupo controle receberam um placebo. A função imune foi avaliada medindo os seguintes marcadores de imunidade: contagens de células T CD4+ e CD8+, níveis de IgA sérica, IgG e IgM e atividade celular das natural killers (NK) tanto antes quanto após a conclusão do período de treinamento. 

As proporções de células CD4+/CD8+ no grupo experimental (glutamina) foram significativamente diferentes antes (0,91±0,14) e após (1,39 ± 0,19) do treinamento (p <0,05). As proporções CD4+/CD8+ no grupo controle foram semelhantes antes (0,93±0,15) e após o treinamento (0,83±0,11), mas a relação das células T CD4+T/CD8+ pós-treinamento foi maior no grupo experimental (glutamina) do que no grupo de controle (p <0,05). A atividade das células NK também foi significativamente diferente entre os dois grupos após o treinamento (experimental, 25,21±3,12 vs. controle, 20,21±2,59; p <0,05). 

No entanto, não foram observadas diferenças nos níveis séricos de IgA, IgG ou IgM. Assim, a suplementação de glutamina pode ser capaz de restaurar a função imune e reduzir os efeitos imunossupressores das proporções CD4+/CD8+. Além de regular a atividade das células NK, também foi significativamente diferente entre os dois grupos após o treinamento (experimental, 25,21 ± 3,12 vs. controle, 20,21 ± 2,59; p <0,05).  

Mas será que pode reduzir os efeitos do treinamento prescrito de maneira errada?

Estude mais sobre cargas e periodização para que possa melhorar cada vez mais sua prescrição de treinamento. Entenda sobre carga externa e carga interna e controle os efeitos do treinamento. Compreenda a duração e densidade de carga para conseguir aumentá-la sem agravar a janela imunológica de maneira descontrolada.

Se você é profissional de nutrição ou profissional de educação física, aconselho a fazer esse curso online sobre bases do treinamento físico. Nesse curso, você vai aprender muito sobre treinamento de maneira bem didática: Curso de bases do treinamento físico – online

Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano.