Exercício físico na gravidez

A prática de exercícios físicos na gravidez é assunto de muitos blogs e sites na internet. Por isso, vou direto ao ponto aqui… A lógica é simples: fazer exercícios traz muitos benefícios para qualquer pessoa. Portanto, isso, obviamente, também vale para as gestantes.

São poucas as condições que não permitem a prática de exercícios durante a gravidez. De maneira geral, as mães que já se exercitavam antes podem seguir essa rotina, mas de forma moderada e com algumas adaptações no período. Já mulheres sedentárias precisam ter mais cuidado. Os exercícios devem ser acrescentados aos poucos na rotina, de preferência depois dos três meses de gestação.

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Os exercícios mais indicados? Natação, caminhada, musculação adaptada e exercícios de alongamento. Entre tantos benefícios, eles ajudam na flexibilidade, aprimoram a musculatura na região do períneo, controlam ansiedade, diabetes, humor e melhoram a autoestima da mulher.

Além do acompanhamento de um profissional, a percepção da mãe também é bem importante. Se o exercício for cansativo ou estiver desconfortável, pode ser que a intensidade esteja muito alta. É preciso conversar e refazer o plano.

Voltando aos benefícios, se as práticas fazem bem para as gestantes, consequentemente os filhos também terão ganhos em decorrência disso, certo? Então vejam esse estudo:

Um trabalho realizado no Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da UFRGS e publicado na revista Pediatric Research, do grupo Nature, avaliou se a natação durante a gravidez pode alterar o desenvolvimento cerebral dos bebês e diminuir danos causados pela lesão da hipóxia-isquemia. Essa lesão é uma das maiores causas de problemas neurológicos em recém-nascidos prematuros e afeta o sistema nervoso central quando há uma redução de oferta de oxigênio para o cérebro. Em 50% dos casos, os bebês têm como sequela deficiências crônicas e danos cerebrais permanentes, como paralisia cerebral e déficit de atenção, por exemplo.

Os testes da pesquisa foram feitos com 12 ratas fêmeas divididas em dois grupos: nadador e sedentário. Nos primeiros 21 dias de gestação, elas foram submetidas a 20 minutos de natação por dia. O outro grupo não fez nenhum exercício durante o período. Quando os animais nasceram, realizou-se uma lesão cerebral nos filhotes dos dois grupos, obstruindo uma artéria para limitar a oferta de oxigênio do cérebro e gerar uma atmosfera hipóxica nos encéfalos durante um determinado tempo. Também foram mantidos, para o grupo-controle, animais sem lesão nos dois grupos.

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A partir de então, uma parte dos animais passou por testes comportamentais e outra por uma análise bioquímica. Os resultados mostraram que os filhotes da mães que nadaram durante a gravidez apresentaram menor déficit cognitivo e se saíram consideravelmente melhores nos exames de memória e reflexo. Além disso, esses mesmos animais tiveram menor redução na atividade da Na+/K+-ATPase (bomba iônica de sódio e potássio) e maiores níveis de BDNF (fator neurotrófico derivado do encéfalo) em comparação com os animais do grupo sedentário – o que significa que o sistema nervosos central deles responde melhor no caso de um dano.

Deu para entender? Então partiu se exercitar! Afinal de contas… bom para a gestante, bom para o bebê. E vice-versa. 

Att Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano


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