Esteroides anabólicos

O uso de esteroides anabólicos e hormônio do crescimento vêm crescendo de maneira exponencial para fins estéticos entre todas as idades. Isso tem sido chamado de “medicina anti-idade”. Nos EUA essa prática tem tomado proporções bem grandes entre os que desejam gozar de corpos esculturais. Entretanto, a pratica é realmente segura? Isso é um ponto interessante a ser levanto. No Brasil essa “especialidade” é amplamente condenada pelo conselho federal de medicina. Um parecer foi redigido e publicado sobre o assunto e se encontra na integra nesse LINK >>>CLIQUE AQUI<<<.

Algumas informações retiradas do site do CRM-SP:

  • A especialidade medica “Medicina anti-aging” ou “Medicina antienvelhecimento” não é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina.
  • O processo biológico de envelhecimento do organismo humano é acompanhado de um natural decréscimo na produção endógena de alguns hormônios sem que este fato seja considerado como a causa do envelhecimento.
  • A medicina e, por extensão, a prescrição de hormônios, precisa ser exercida baseada em evidências científicas comprovadas.

Mesmo as evidências científicas mostrarem que não há segurança sobre tal pratica muito médicos tem usado a tais manipulações hormonais com objetivos estéticos. Muitos cursos e palestras são ministrados por “doutores” que insistem sobre tal pratica e disseminam a confusão pseudo cientifica sobre o assunto usando frases como: “eu uso essas técnicas e nunca tive problema” ou “minha casuística me mostra que é seguro aplicar tal prática”.  Não quero entrar nesse mérito, mas se alguém lhe disser que pode usar uma estratégia por que testou em si mesmo, esse cara é um PICARETA! As pessoas que passaram por formação acadêmica deveriam defender a ciência e estudos científicos, mas ao contrário, estão colocando em dúvida a pratica da medicina baseada em evidências. Claro que não são todos, não posso e não irei deixar generalizar esse tipo de “rótulo” aos médicos. A maioria é competente e se esforça muito para conciliar  a carga dura de trabalho e pressão com estudos e leituras de boa qualidade.  Muito dos meus alunos/amigos são interessados em aprender sobre ciência e aplica-la amplamente em seu dia a dia de conduta clínica. Em nosso grupo do Whatsapp “A liga dos doutores”, temos ótimas discussões e mantemos sempre a clareza sobre os assuntos polêmicos e discutimos as informações baseados no que se tem na literatura.

Em uma de nossas conversar foi levantada uma afirmação realizada em um desses cursos CAROS MÁGICOS; “GH não tem problema tomar, só se torna preocupante se você apresentar uma alteração de multiplicação celular (tumor)”. Isso levantou a dúvida; Será que o GH pode ser mesmo uma droga segura para melhorar aspectos estéticos? Lembrando que é PROIBIDA essa prática no Brasil. Nosso objetivo é discutir a ciência e de maneira alguma estamos apoiando a pratica não legalizada de condutas hormonais em território nacional.

Escolhi um artigo para discutirmos e verificar parte do que a literatura traz sobre os efeitos do uso ed GH e esteroides em sujeitos idodos. Esse trabalho foi realizado em um dos maiores centros de ensino e pesquisa médica do mundo (sou muito fã desse lugar) LINK >>>CLIQUE AQUI<<<.

Todos eram saudáveis de ambos os sexos, 53 mulheres e 71 homens com idades entre 65-88 anos. Os indivíduos não fumavam, não bebiam mais de 30g de álcool/dia, e não usavam medicamentos conhecidos que poderiam interferir com os valores de GH/IGF-I ou com a atividade do eixo de esteroides gonadais. As mulheres que participaram eram pós-menopausa e não faziam nenhuma terapia de reposição hormonal (TRH) durante pelo menos 3 meses antes da participação no estudo. Dezoito mulheres relataram ter tomado HRT anteriormente. Entre as mulheres o período médio de interrupção da TRH antes da participação estudo foi de 12 ± 3 anos. Quatro das 18 mulheres estavam tomando ativamente HRT até 3 meses antes da randomização para receber placebo + placebo (n = 2) ou HRT + placebo (n = 2). Nenhum homem estava usando testosterona (T) antes da participação no estudo.

O desenho experimental foi duplo-cego, randomizado, controlado por placebo, com ensaio clínico por período total de 26 semanas. Assim, todos os participantes receberam GH ativo ou placebo e de esteroides sexuais ativo ou placebo, e cada hormônio foi administrado sozinho e em combinação com outro.  Foi usado GH humano recombinante (Nutropin; Genentech) administrando 20ug/kg de massa corporal, auto-injetado subcutaneamente 3 vezes por semana durante a noite. HRT foi administrada usando 100ug/dia usando estradiol (Estraderm; Novartis), mais 2,5mg de acetato de medroxiprogesterona (Provera; Pharmacia & Upjohn) durante os primeiros 10 dias de cada mês, e Testosterona usada foi administrada por injeções intramusculares usando 100mg T de enantato (DELATESTRYL Injeção; Bio-Geral de Tecnologia) a cada 2 semanas.

Os participantes do estudo foram aconselhados a consumir suas dietas habituais e manter o seu nível habitual de atividade física durante o protocolo de 26 semanas. Histórias dieta de três dias foram obtidas por uma nutricionista, e padrões de atividade física foram avaliados por meio da Escala de Atividade Física para Idosos (PASE) no início do estudo e na semana 26.

Todos os dados estão expressos como média ± SE (preferiria DP). Os dados foram analisados ​​usando SAS versão 6.12 (SAS Institute, Cary, NC). As diferenças entre o grupo de tratamento com placebo e os outros grupos foram avaliados através da análise de variância, utilizando os procedimento General Linear Models (GLM) para controlar o tamanho do grupo desigual. A variável dependente nas análises foi o valor de alteração (pós pré) da variável desfecho. As variáveis ​​independentes incluíram a idade do sujeito, o valor inicial da variável de desfecho, e uma variável indicando grupo de tratamento (esteroides sexuais + GH, sozinho GH, esteroides sexuais sozinhos, e os placebos). Todas as comparações foram realizadas com post hoc teste de Dunnett nos três grupos. Significância foi estabelecida em P  ≤ 0,05.

Antes do tratamento em ambos os sexos o IGF-I estava diretamente relacionado com a IGFBP-3 (P <0,001 e P <0,0001) e IGFBP-1 com IGFBP-2 (P = 0,0001). Nas mulheres, a IGFBP-1 foi inversamente relacionada com a insulina (P <0,0005) e glicose(P <0,005).  GH e /ou esteroides sexuais aumentaram os níveis de IGF-I em ambos os sexos, com concentrações mais elevadas nos homens (P <0,001). Nas mulheres o aumento de IGF-I após o uso de GH foi atenuada por terapia de substituição hormonal (HRT) que foi usada em conjunto (P <0,05).

Administração de hormônios também aumentou IGFBP-3. A IGFBP-1 não foi afetada por esteroides sexuais + GH, ao passo que a GH diminuiu o IGFBP-2, em até 15% em homens (P <0,05). Administração de hormônios esteroides não alterou IGFBP-4, enquanto que nos homens IGFBP-5 aumentou 20% depois de GH (P <0,05) e 56% após GH + testosterona (P = 0,0003). Estes dados demonstram respostas IGFBP dimorfismo sexual para GH. Associado a isto, a HRT atenuado ou impedido aumentos mediados GH-IGF-I e IGFBP-3. Se GH e / ou administração de esteroides sexuais altera a produção de tecido local de IGFBP.

Nas mulheres o GH sozinho aumentou os níveis de insulina em jejum em 112% e glicemia de jejum em 4,5%.  A adição de TRH em conjunto com o GH reduziu os efeitos nos níveis de insulina e glucose em jejum. Nos homens, GH + T aumentou a insulina de jejum em 30%, ao passo que os níveis de glicose em jejum aumentaram 11% com GH sozinho, mas não depois de T ou GH + T.

Nas mulheres, GH aumentou os níveis de osteocalcina enquanto HRT e GH + HRT não alterou significativamente a osteocalcina. A adição de TRH com GH parece eliminar os efeitos do GH sobre a osteocalcina. Nos homens, GH e GH + T aumentou osteocalcina de maneira equivalente, enquanto que T sozinha não mostrou nenhum efeito sobre os marcadores de remodelação óssea.

Os autores ainda trazem toda a discussão sobre os motivos que eles acreditam ter provocado tais resultados/efeitos na população estuda.  Sem dúvida alguma é muito importante que você leia o artigo original possa consultar os diferentes resultados apresentados nas tabelas que os autores mostram. Esse artigo é OPEN para consulta pública nesse LINK >>>CLIQUE AQUI<<<.

Como podemos perceber nesse estudo, os efeitos da reposição hormonal não é algo tão simples e aplicável em qualquer sujeito como tem se vendido em cursos e palestras. Muitos fatores devem ser observados que vão além de possíveis interações tumorais. Os sujeitos que apresentem histórico de resistência insulínica e diabetes pode se prejudicar por tal uso indiscriminado de hormônios. Sujeitos com alterações hepáticas e renais podem se prejudicar gravemente pelo uso de substâncias que são eliminadas por tais órgãos.

Ao atacarmos condutas baseadas nos consensos nos deparamos com a pouca literatura que mostra segurança no uso de tais recursos hormonais para fins terapêuticos e muito menos estéticos (proibidos no Brasil). Espero que tenha gostado do artigo e possa ler ele na integra. Sinta-se a vontade para comentar sobre o assunto, sua opinião é importante.

Abraço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *