Treinamento tensional e metabólico, seria possível isso?

Texto de Dr. Andre Lopes e Dr. Renato Alvarenga

O mundo do treinamento físico é um dos mundos em maior mudança científica que conheço. Claro que isso é bem provável devido a minha ligação profissional com a área. Mas como toda área científica ou baseada em ciência, devemos ter muito cuidado quando afirmamos determinadas situações, principalmente no que tange as questões registradas em livros e artigos científicos. Em tempos anteriores, na década dos anos 2000, o conhecimento sobre fisiologia do exercício e treinamento físico era bem menor do que se sabe hoje. Devido a evolução, não só da ciência, mas também da capacidade de raciocínio dos profissionais, que podemos facilmente desmistificar determinadas verdades “’absolutas” que perduram até hoje com os colegas menos atualizados.

No texto de hoje, vamos trazer um assunto um tanto polêmico dentro da área do treinamento. Eu talvez chamaria de controverso para ser mais assertivo e direcionado. Vamos conversar sobre treinamentos tensionais e treinamentos metabólicos. Para ajudar na construção do texto convidei um dos grandes professores da área da fisiologia humana e do exercício, o Dr. Alvarenga, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Para começarmos a abordar o assunto vou dar as “definições” dos termos; “treinamento tensional” e “treinamento metabólico”.

Muitos de vocês usam esses temos para explicar para seus alunos e atletas sobre os efeitos de estratégias de treinamento. Justificam na verdade um menor volume de repetições como sento tensional e um volume maior de repetições como sendo metabólico. Bem já estou dando dicas, preciso parar e colocar as definições e explicações que os “experts” usam para tal nomenclatura.

Treinamento tensional (segundo os experts).

Para que possamos dizer que um treinamento é tensional devemos usar a carga e amplitudes de movimento altas. Segundo os experts isso gera maior mecanotransdução e maior ocorrência de microlesões. Sendo assim, os experts julgam a necessidade de ênfase na fase excêntrica do movimento o que geraria maior sinais de mecanotransdução e maiores níveis de microlesões. Sendo assim, as series teriam poucas repetições, menos que seis, com fase excêntrica lenta e com intervalos de 2 a 4 minutos.

Treinos Metabólicos (segundo os experts)

Já o treinamento metabólico conta com outros sinalizadores, como aumento na acidose, acúmulo de metabólitos e mudanças na osmolaridade celular. Segundo os experts a vantagem desse treinamento seria não usar grandes cargas e assim proteger as articulações dos usuários. Segundos tais experts essas alterações metabólicas seriam capazes de gerar hipertrofia. São treinos de repetições maiores que dez, descanso de 45 a 90 segundos, com contrações ritmadas, mas sem ênfase nas fases.

Leia depois sobre 3 x10 e 3 x 15 para definição muscular, é possível?

Vamos aos fatos e análises?

Tensão muscular e a produção de respostas do metabolismo podem ser separados?

O que faz gerar a força durante o exercício físicos são as interações actomiosínicas e as correspondentes reduções dos comprimentos dos sarcômeros dentro da fibra muscular. Isso é conhecido como a teoria dos filamentos deslizantes.

O deslizamento da actina sobre a miosina é realizado devido o processo de liberação de energia química, que irá ser transcrita, como mencionado, em energia termina e mecânica (contração muscular). Isso tudo acontece graças a uma molécula chamada de “moeda metabólica”. Já deve ter dito ela mentalmente agora, sim é através da quebra de ATP, que constantemente é restaurado através dos metabolismos energéticos oxidativos/glicolíticos/fosfagêncios.  Portanto, existe uma relação direta e inseparável entre a necessidade de gerar tensão e metabolismo.

O aumento no metabolismo durante o exercício só existe porque realizamos mais tensão no músculo do que o repouso. Em exercício físico o metabolismo pode aumentar até 20 vezes quando comparado ao repouso. E essa tensão só acontece graças a quebra do ATP. Dessa forma, como podemos criar um treinamento dito tensional e outro metabólico? Portanto, há muitas vias de sinalização de diversas ordens para se explicar a hipertrofia, e de forma alguma deveria justificá-la por serem apenas de ordem tensional ou metabólica. Talvez seria mais justo chamar de ordem de trabalho total realizado. Mas voltamos a dizer, desassociar, separar treinamentos devido tensão e metabolismo é de forma alguma algo suportado pela sanidade fisiológica científica que nos cerca.

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Antes de darmos nomes difíceis e criarmos conceitos para chamar a atenção ou até mesmo tentar explicar os processos do treinamento físico, nós profissionais devemos pensar de maneira mais fácil e nunca esquecendo o básico. A fisiologia não muda na velocidade dos devaneios, continuamos entendendo os processos conforme eles acontecem. No que tange o treinamento físico, em nosso processo de entendimento fisiológico, dizer que existe treinamento tensional e metabólico é negar a integralidade fisiológica dos processos.

Desejamos a vocês, que com essa leitura, a clareza possa tomar conta de seus pensamentos e raciocínios e assim a atuação de vocês possa ser cada vez mais científica e assertiva.

Abraços dos Dr. Andre Lopes e Dr. Renato Alvarenga

@dr.andrelopes e @Profrenatoalvarenga

Dr. Andre Lopes

Professor universitário - escritor - cientista com mais de 35 artigos publicados nacionais e internacionais, autor de 2 livros e ministrante de mais de mil cursos de extensão, especialização e certificações internacionais.

TREINAR MUITO FAZ SER RUIM!

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