Espermatozoides e estresse oxidativo

De acordo com a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, um casal é considerado infértil se, após um ano de tentativas sem o uso de nenhum método anticoncepcional, não consegue engravidar. Estima-se que o problema atinja aproximadamente 80 milhões de pessoas ao redor do mundo. Em cerca de 30% dos casos, a infertilidade é causada apenas por fatores masculinos, enquanto que em 20% as causas são combinadas.

O que existe de novo?

Em um recente estudo, publicado em maio desse ano, mostrou novas perspectivas perante a essa limitação. O estudo coordenado por Shilpa Bisht e colaboradores, com o título de “Oxidative stress and male infertility”, teve como objetivo analisar vários fatores que podem desencadear infertilidade em homens e até mesmo, defeitos genéticos e má formações no feto, caso a gravidez aconteça.

Mas afinal, o que é estresse oxidativo?

O estresse oxidativo decorre de um desequilíbrio entre a geração de compostos oxidantes e a atuação dos sistemas de defesa antioxidante. A geração de radicais livres e/ou espécies reativas não radicais é resultante do metabolismo de oxigênio. A mitocôndria, por meio da cadeia transportadora de elétrons, é a principal fonte geradora. O sistema de defesa antioxidante tem a função de inibir e/ou reduzir os danos causados pela ação deletéria dos radicais livres e/ou espécies reativas não radicais.

Através da imagem, podemos notar pela ilustração da balança, que quando os oxidantes tem uma sobreposição perante a nossos antioxidantes, aumenta-se a produção das espécies reativas de oxigênio (ROS). Note, que esse processo, está sendo influenciado por diversos fatores, entre eles principalmente a idade, o estilo de vida (sedentarismo e hábitos alimentares), processos infecciosos, estresse psicológico e a varicocele. Além disso, temos fortemente a produção de ROS em obesos, hipertensos, diabéticos, fumantes e outros.

Imagens do artigo.

As imagens do artigo mostra grande produção dessas espécies, provindas da peroxidação lipídica (é o processo através do qual os radicais livres capturam elétrons dos lipídeos nas membranas celulares, realizando uma degradação oxidativa de lipídeos). Podemos visualizar melhor a produção de grupamentos aldeídos lipídicos, considerados tóxicos para nosso organismo (acrolein, 4HNE, MDA). Esses processos, podem danificar de duas formas os espermatozoides: através de danos no DNA nuclear e DNA mitocondrial do esperma (mtDNA); Ou através de danos na membrana plasmática do esperma, que pode resultar em defeitos na sua motilidade e também na fusão com o oócito.

Os principais danos estão relacionados ao DNA nuclear e mitocondrial, sendo que esses, estão relacionados a diminuição dos telômeros, formação do componente de base oxidativo 8-hidroxi-desoxiganina (8-OHdG) e fragmentação de DNA mitocondrial, que por fim, promovem defeitos nos mecanismos de reparação dos espermatozoides.

A partir desses defeitos já citados, temos a geração de moléculas defeituosas de cadeia simples e cadeia dupla de DNA, o que pela sua alta carga mutagênica presente do espermatozoide, pode gerar duas vias finais: a infertilidade como já citado pelas suas consequências mutacionais e instáveis; ou, pelo ineficiente reparo de DNA, promover a gravidez, porém, gerando diversos defeitos mutagênicos no embrião.

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Mutações.

Esses mecanismos, além de defeitos mutacionais e má formações, está diretamente ligado a predominância do câncer infantil; doenças neuropsiquiátricas (como autismo e esquizofrenia); e mutações gênicas como a síndrome de Apert e acondroplasia (que está relacionado a baixa estatura e alterações ósseas). A fertilização in vitro, pode acontecer de mesma forma, se a carga mutagênica do DNA do espermatozoide for alta, podendo ocasionar os mesmos defeitos citados.

Com isso, temos a utilização da terapia de antioxidantes para controlar essas alterações, mas antes de tudo, estilos de vida saudáveis prevenindo esses danos. Imagina uma criança obesa e sedentária, como será pelo passar dos anos a influência de seu estilo de vida. Perante a esses mecanismos citados, e como isso pode estar relacionado a danos mutagênicos em seus progenitores. É indispensável uma qualidade de vida, com a prática de exercícios físicos e bons hábitos alimentares, evitar consumo de bebidas alcoólicas e fumo, diminuir o estresse.

Tentei resumir ao máximo o estudo, mas vale a leitura, pois possui mecanismos mais aprofundados, muito interessantes por sinal e que influenciam esse processo infértil.

REFERÊNCIA:

BISHT, Shilpa; et al; Oxidative stress and male infertility. Nature Reviews Urology, publicado em 16 May 2017. doi:10.1038/nrurol.2017.69

 

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