Como avaliar os riscos da obesidade?

Quando falamos de gordura corporal a coisa fica um pouco confusa na cabeça de muitos profissionais e estudantes. A gordura depositada em outros tecidos pode ter comportamentos diferentes do ponto de vista metabólico, levando à melhora da resistência a insulina no músculo e fígado e aumentando a capacidade funcional das células b.

As glitazonas representam uma nova classe terapêutica de droga com propriedades hipoglicemiantes, sensibilizadoras da ação da insulina e restauradoras da função da célula b. O uso das glitazonas ocasiona um aumento de massa corporal, mas paradoxalmente, gera uma melhora do controle glicêmico. Isso é algo paradoxal porque toda a discussão gira em torno da associação entre o grau de obesidade e a RI. As glitazonas atuam ao se ligarem ao receptor nuclear PPAR-γ, crítico para o processo de diferenciação de pré-adipócitos em adipócitos. Estudos clínicos demonstram que o efeito positivo das glitazonas é o produto da redução da gordura visceral e aumento da gordura subcutânea. Além disso, existem evidências experimentais da redução dos adipócitos grandes com RI de localização subcutânea profunda pelo estímulo a sua apoptose e do aumento preferencial dos adipócitos pequenos e com características do tecido adiposo subcutâneo superficial. O resultado desse redirecionamento da gordura seria responsável pela mudança do padrão de produção de citocinas pelo estímulo dos PPARs, com aumento dos níveis circulantes de adiponectina e redução dos níveis de IL-6 e PAI-1.

O que você esta medindo prediz o que você quer? 


Sim, pode parecer estranho eu dizer isso, mas medir o percentual de gordura é algo que deve ser feito com cautela e critérios. 

Vou pontuar algumas coisas: 


1° Um sujeito pode ser gordo comendo coisas saudáveis, para ganhar gordura basta ter calorias sobrando em sua dieta. Alimentos “saudáveis” também apresentam calorias e são elas que viram gordura em nosso corpo.


2° Um sujeito magro pode ter problemas de saúde bem parecidos com os da obesidade sem ser obeso basta, ser sedentário e ter uma alimentação tipo cafeteria (frituras e doces em excesso).


3° Sujeitos que tem composição corporal (% de gordura mais alto), mas praticam exercícios, na maioria dos casos, tem uma saúde boa ao compararmos com sedentários de % de gordura menor. 


4° Composição corporal não é diagnóstico de doença, valor para mais ou para menos de % de gordura são indicativos e devem ser confrontados com exames de sangue, hitórico familiar e outros comportamentos  para melhor avaliação. 

5° A localização da gordura corporal subcutânea pode modular, de certa forma, maior ou menor risco a saúde (se comparado com exame de sangue, histórico familiar e outros) e pode modular quais os riscos mais prováveis. 


6° Avaliações de IMC, ICQ, CC são validas quando associadas a outras formas de olhar a composição corporal, como soma total de dobras, separação em periféricas e centrais, e principalmente a relação cintura/estatura. Esse último uma maneira muito interessante de verificar a relação de proporcionalidade de gordura visceral e tamanho do sujeito. 


7° A massa muscular é um fator importante e pode proteger a saúde metabólica dos sujeitos se estiver em valores adequados e sendo usada sistematicamente para gastar calorias (metabolicamente sendo ativada).

8° Verificar a massa muscular total é importante, a massa muscular de braço e coxa são bons norteadores de prescrição de treinamento. 


9° Buscar valores ideais de % de gordura sem verificar as variáveis de gordura visceral me parece pouco efetivo e importante para o sujeito de forma geral. A melhor estratégia é realizar comparações intra sujeito (ele com ele mesmo) e acompanhar bioquimicamente e fisicamente as respostas. 


10° O uso da tecnologia de forma geral torna as mentes preguiçosas em muito dos casos. Não existe máquina no mundo que seja capaz de substituir você!

Att. Dr. Andre Lopes

PhD em Ciências do Movimento Humano