HDL e Doenças Cardiovasculares (DCV)

HDL e Doenças Cardiovasculares (DCV)

Lipoproteínas (LP) são moléculas que transportam e distribuem o colesterol pelo organismo. Elas são compostas por apolipoproteínas com função metabólica (ex: B100 e B48), acopláveis a receptores (ex: B100 e E) ou com ação enzimática (ex: CII, CIII e AI). Seus subtipos diferem em tamanho, densidade, composição química e modificações por oxidação, glicação ou dessialização, de modo que cada subtipo pode favorecer ou impedir mais ou menos a aterogênese.

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As lipoproteínas podem ser divididas em dois grupos:

– As ricas em triglicerídeos (ex: Quilomicrons (QM) e VLDL);
– As ricas em colesterol (ex: LDL e HDL).

Obs: A sigla VL significa muito baixa, L significa baixa e H significa alta. Tais siglas indicam qual a Densidade da Lipoproteina (significado das letras DL).

De modo bem resumido, as QM transportam os ácidos graxos, glicerol e colesterol do trato intestinal para a circulação e as LDL transportam o colesterol para diferentes células do organismo.

Já a HDL é uma LP que protege o leito vascular contra a aterogênese ao realizar transporte reverso de colesterol (do organismo para o fígado), inibir a fixação de moléculas de adesão e monócitos ao endotélio e estimular liberação de óxido nítrico. A principal constituinte da HDL é a ApoA-I, que indica o balanço aterogênico no plasma.

Baixo HDL é a alteração lipídica mais comum, indo de 20%, na população em geral, a 60%, em pessoas com doença cardiovascular. Em uma revisão prospectiva de 4 coortes americanas, cada incremento de 1 mg/dL nos níveis de HDL reduziu o risco de doença coronariana de 2 a 3% e DCV e mortalidade de 3,7 a 4,7%. Uma coorte britânica encontrou associação em curva U (tanto níveis baixos quanto altos) entre mortalidade de todas as causas e níveis de HDL

Apesar de haver uma relação inversa e bem estabelecida entre níveis de HDL e DCV, há evidências contra uma relação causal entre ambas: (1) Indivíduos com menores níveis de HDL geralmente apresentam fatores de risco, como tabagismo, inatividade física, alto IMC e maior pressão arterial. (2) Baixo HDL frequentemente é atribuído a causas secundárias, como hipertrigliceridemia, taxas altas de ApoB, obesidade e diabetes. (3) Fármacos inibidores da proteína de transferência de ésteres de colesterol (são eles: torcetrapibe, anacetrapibe, dalcetrapibe e evacetrapibe) aumentam expressivamente os níveis de HDL sem mudar ou até elevando a incidência de DCV. (4) Em algumas doenças o baixo HDL cursa com menor risco de DCV (ex: algumas hipoalfalipoproteinemias e na deficiência familiar da lecitina-colesterol Aciltransferase (LCAT) tipo II).

Não obstante, a diretriz atual de dislipidemia considera imperativo analisar os níveis de HDL para avaliação do risco cardiovascular. Considera-se dislipidemia valores de HDL < 40 mg/dL (homens) e < 50 (mulheres) mesmo isoladamente. Apesar disso, a diretriz não traz metas para HDL e não recomenda o tratamento medicamentoso visando à elevação de seus níveis.

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As dúvidas que ficam são:

São os baixos níveis de HDL que favorecem o surgimento de DCV?

Adianta intervir visando a aumentar os níveis de HDL para prevenir DCV?

Se sim, em quem, indivíduos saudáveis ou apenas nos dislipidêmicos?

Em que grau isso altera o desfecho?

Felipe Athayde – Estudante de Medicina  Facebook >>> http://bit.ly/2MpdxyC 

Referências:

Faludi AA, Izar MCO, Saraiva JFK, Chacra APM, Bianco HT, Afiune AN, et al. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2017. Arq Bras Cardiol. 2017

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