Um alerta para quem come alimentos ultraprocessados

Você come alimentos ultraprocessados (ultra-aditivados)? Então é bom dar uma lida no texto a seguir!

Um estudo feito na Universidade Sorbonne, em Paris, e recém-publicado na revista científica British Medical Journal apontou que refrigerantes e outras bebidas açucaradas, barras de chocolate e doces industrializados, salgadinhos de pacote, nuggets, macarrão e sopas instantâneas, comida congeladas e alimentos feitos principalmente/totalmente de açúcar, óleos e gorduras estão na lista das comidas que podem aumentar o risco de câncer.

Via de regra sabemos que os ultraprocessados (ultra-aditivados) não fazem bem à saúde. Esses alimentos passam por técnicas e processamentos com grande quantidade de sal, açúcar, gordura e realçadores de sabor. Por isso, são hiper palatáveis, ou seja, estimulam o máximo do paladar e fazem a gente querer mais. Pura ilusão né? E mais, eles também são pobres em fibras, vitaminas e minerais e estimulam o consumo excessivo de calorias.

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Conforme a classificação NOVA de alimentos (que considera o grau de processamento dos produtos), “o principal propósito do ultraprocessamento é o de criar produtos industriais prontos para comer, para beber ou para aquecer que sejam capazes de substituir tanto alimentos não processados ou minimamente processados que são naturalmente prontos para consumo, como frutas e castanhas, leite e água, quanto pratos, bebidas, sobremesas e preparações culinárias em geral. Hiper-palatabilidade, embalagens sofisticadas e atrativas, publicidade agressiva dirigida particularmente a crianças e adolescentes, alegações de saúde, alta lucratividade e controle por corporações transnacionais são atributos comuns de alimentos ultraprocessados”.

Bem, o que isso significa? Que essas características por si só já mostram como esse tipo de consumo pode fazer mal ao organismo.

A questão do risco de câncer seria um dos desdobramentos desses hábitos. Mas, apesar de muito sério, esse assunto ainda precisa ser visto com cautela, porque os próprios pesquisadores confirmam que é preciso aprofundá-lo. A pesquisa fala em risco e não causa, porque outros fatores, além da alimentação, podem ter contribuído para a doença nos grupos analisados.

Detalhes

O estudo de coorte é baseado em questionários preenchidos por 104.980 mil sujeitos franceses saudáveis – sobretudo mulheres – com idade média de 43 anos. Eles informaram dados alimentares nos primeiros dois anos e a pesquisa considerou estes como ingestão dietética de base para a análise prospectiva. No período, foi avaliado o consumo de 3.300 tipos de alimentos, agrupados pelo nível de processamento conforme a NOVA classificação.

O tempo médio de acompanhamento dos participantes foi de cinco anos. Sempre que ocorria um evento de saúde isso era declarado nos questionários e, para cada caso de câncer, eram coletados os registros médicos relevantes.

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Uma média de 18% da dieta dos participantes era composta de comida ultraprocessada. Os resultados mostraram que esse consumo está associado a um risco mais elevado de câncer em geral (aumento de 6% a 18%) e de câncer de mama (2% a 22%). E também que, conforme a proporção desses alimentos na dieta aumentasse 10%, a quantidade de câncer detectada aumentaria 12%.

No artigo, os pesquisadores reforçam as hipóteses que podem explicar as descobertas. Fala-se na qualidade nutricional geralmente mais pobre nas dietas ricas em ultraprocessados, na ampla gama de aditivos contidos nesses alimentos e também na produção de contaminantes neoformados nos produtos por causa do processamento e dos tratamentos térmicos – todos fatores que contribuem para o risco do surgimento da doença.

No entanto, eles também reconhecem as limitações e afirmam que “o estudo foi o primeiro a investigar e realçar o aumento do risco global – e mais especificamente do câncer de mama associado à ingestão de alimentos ultraprocessados. Esses resultados devem ser confirmados por outros estudos de grande escala, observacionais em diferentes populações e configurações. Também são necessários mais estudos para entender melhor o efeito relativo da composição nutricional, aditivos alimentares, materiais de contato e contaminantes neoformados nesta relação”.

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Fica o alerta

É um estudo de observação sem conclusões definitivas sobre a ligação entre alimentos ultraprocessados e câncer, mas também é um alerta importante que precisa ser levado em consideração por todos nós. Como os próprios autores enfatizam, ele abre novos caminhos para estudos na área, já que os resultados sugerem que o rápido aumento do consumo desse tipo de comida pode gerar uma carga crescente de câncer nas próximas décadas.

Att Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano