Adesivo promete dissolver gordura

É bem possível que você tenha ouvido falar nas últimas semanas sobre um adesivo desenvolvido por pesquisadores dos Estados Unidos que transforma a gordura corporal no local em que é aplicado. E o termo é esse mesmo: transformar. Em contato com a pele, ele converte gordura branca em gordura marrom. Ou seja, a gordura que ajuda a queimar gordura.

Isso parece bom né?

A ciência estuda há anos formas de acabar com excesso de gordura branca e a gordura marrom é uma aliada nesse processo. Enquanto a gordura branca armazena energia em gotículas de triglicerídeos por causa do excesso de comida e falta de exercício, a gordura marrom tem gotículas menores e apresenta muitas mitocôndrias que oxidam a gordura e a glicose para produzir calor. Aliás, gerar calor é a principal função dessa “gordura marrom do bem”.

Ela existe em abundância no nosso corpo quando nascemos para proteger contra a exposição e as baixas temperaturas. Mas é perdida conforme a gente vai crescendo e se reduz a quantidades mínimas na idade adulta – apenas 5% a 10% do tecido adiposo.

O estudo de Ouellet et al (2012) mostrou que o metabolismo na gordura marrom aumenta quando adultos estão expostos ao frio. A pesquisa expôs indivíduos a frio controlado. Um bolus de acetato radioativo foi administrado ao grupo. O tecido adiposo marrom absorveu quatro vezes mais que o músculo e a radioatividade desapareceu com uma meia vida de apenas alguns minutos. No tecido de sujeitos que não foram expostos ao frio, a radioatividade que marcava o metabolismo permaneceu mais tempo. Isso demonstra essa maior atividade metabólica do tecido marrom em sujeitos expostos ao frio. 

Por ser metabolicamente ativa, a gordura marrom também ajuda a evitar a obesidade – desde que, além das temperaturas frias, também seja ativada por uma alimentação saudável e a prática de exercícios físicos.

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Bom, o fato é que os dois tipos de gordura são diretamente influenciadas pelos nossos hábitos.

E se realmente for possível substituir uma pela outra apenas com a aplicação de um adesivo?

Vamos voltar a falar sobre o experimento feito nos laboratórios da Universidade de Columbia e Universidade da Carolina do Norte.

O adesivo ainda não foi testados em humanos, apenas em camundongos obesos. Então ainda é cedo para comemorar. Em um grupo de animais, os pesquisadores colaram o adesivo no abdômen com dois tipos de medicamentos: o agonista do receptor rosiglitazona (Avandia) ou beta-adrenérgico (CL 316243). O outro grupo recebeu adesivos sem a droga. O papel dos medicamentos era auxiliar no processo de transformação da gordura branca em gordura marrom. Eles foram envoltos em nanopartículas projetadas para segurá-los e, em seguida, liberar gradualmente para o tecido por agulhas microscópicas. Essas nanopartículas fazem o chamado processo browning – que transforma a gordura branca em marrom. Os adesivos foram aplicados a cada três dias durante um mês.

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O estudo constatou que os animais que receberam qualquer um dos dois tipos de medicamento, tiveram redução de 20% na gordura em comparação com aqueles que receberam adesivos placebo. Outro resultado que agradou os pesquisadores é que os ratos tratados apresentaram níveis significativamente mais baixos de glicose no sangue. Isso é bem interessante, porque o acúmulo de gordura branca no corpo gera resistência à insulina, aumentando a glicose no organismo.

Os testes em animais foram promissores, mas ainda é preciso aguardar pelos testes em humanos e não há garantias de que esse “super adesivo” efetivamente funcione nas pessoas. Isso, só o tempo dirá…

O estudo completo você encontra aqui.

Crédito da foto: COLUMBIA MEDICINE/YOUTUBE

Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano.

Dr. Andre Lopes

Professor universitário - escritor - cientista com mais de 35 artigos publicados nacionais e internacionais, autor de 2 livros e ministrante de mais de mil cursos de extensão, especialização e certificações internacionais.

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