A mentira do glúten

“A mentira do Glúten” – livro muito interessante que traz diversas entrevistas com os maiores estudiosos e especialistas no assunto. Alan Levinovitz é um PhD amante da ciência e entrevistou diversos cientistas e nutricionistas sobre o assunto Glúten e outras coisas como Sal, Açúcar, Gordura… Aproveitando essa dica vamos trazer um pouco de ciência para que possamos entender a origem da “moda” do “sem glúten” que invadiu o Brasil nos últimos anos. Espero que gostem da dica de leitura e de nosso texto.

Em um dos melhores exemplos de trabalho em ciência aconteceu nos últimos dias, um pesquisador que forneceu evidência chave mostrando que poderia haver sensibilidade ao glúten em pessoas não célicas, voltou atrás!

A publicação de Gibson, na época, gerou uma mudança grande na área da nutrição clínica e esportiva. O primeiro trabalho de acompanhamento saiu no ano de 2013. O estudo foi um follow-up em um experimento de 2013, no laboratório de Peter Gibson na Universidade de Monash. O cientificamente – mas pequeno – estudo “descobriu” que dietas contendo glúten poderiam causar desconforto gastrointestinal em pessoas sem a doença celíaca, uma desordem auto-imune desencadeada pelo glúten.

Eles chamaram isso de sensibilidade ao glúten não-celíaca.

O glúten é uma rede de duas proteínas encontradas no trigo, cevada e outros cereais. Ele dá o pão o seu aspecto de macio e é frequentemente utilizado como um substituto da carne. Se você já esteve em um restaurante tailandês, já deve ter comido “carne trigo” que é o glúten.

O glúten foi e é uma grande indústria: 30% das pessoas querem comer menos glúten. As vendas de produtos sem glúten são estimadas para atingir US $ 15 bilhões até 2016. Embora os especialistas estimam que apenas 1% dos norte-americanos – cerca de 3 milhões de pessoas – sofrem de doença celíaca, 18 % dos adultos agora compram alimentos sem glúten.

Entretanto, desde e o seu achado, Gibson estava insatisfeito e inquieto com os resultados.

Ele queria descobrir por que o glúten parecia estar causando essa reação e se poderia haver algo mais acontecendo. Ele, portanto, foi a um extremo rigor científico para a sua próxima experiência.

Foram recrutados 37 pacientes sensíveis ao glúten que foram testados.

Os sujeitos receberam dieta de glúten alto, de glúten baixo e sem glúten (placebo), sem saber qual plano de dieta que estavam em um determinado tempo. No final, todas as dietas de tratamento – até mesmo a dieta placebo – causaram dor, inchaço, náuseas e gás em um grau similar. Não importava se a dieta continha glúten ou não.

“Em contraste com o nosso primeiro estudo… nós poderíamos encontrar absolutamente nenhuma resposta específica ao glúten”, escreveu Gibson no artigo original. Um terceiro estudo, publicado este mês, maior e mais consistente, confirmou novamente as descobertas.

O autor diz que parece que quando os sujeitos recebem a informação de que algo faz mal a eles, isso acontece de maneira inconsciente. E provavelmente os sujeitos tornam-se mais atentos ao desconforto intestinal uma vez que precisavam relatar o desconforto para durante o estudo.

Além disso, podem existir outros fatores, gatilhos alimentares, que podem promover o desconforto e ser erroneamente interpretado como sensibilidade ao glúten.

Sendo assim, você pode ir em frente e cheirar o pão e comê-lo sem problema se não possui doença celíaca, o GLÚTEN NÃO É UM MONSTRO.

Referências para consulta.

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23648697

http://www.realclearscience.com/blog/2014/05/gluten_sensitivity_may_not_exist.html

http://www.businessinsider.com/should-i-go-gluten-free-2013-4

http://www.packagedfacts.com/Gluten-Free-Foods-7144767/