A bioimpedância é eficiente?

A avaliação da composição corporal faz parte das etapas do atendimento nutricional. A partir dela, é possível obter a quantidade de gordura e outro parâmetros do nosso organismo.

Uma das formas de avaliação que têm aparecido com frequência nas clínicas, academias e, principalmente, nas redes sociais, é a bioimpedância elétrica (BIA) – um exame feito através da aplicação de uma pequena corrente elétrica pelo corpo.

Existem diversos tipos de equipamentos de bioimpedância elétrica e são muitas as vantagens… A medição é rápida, não invasiva e indolor. E também não exige grande raciocínio do profissional que opera o equipamento e “interpreta” o laudo. Se você tem problemas com interpretações inteligentes é uma ótima opção. 

Contudo, também há algumas desvantagens.

Os cuidados e recomendações para aplicação da BIA são bem interessantes. O exame não pode ser aplicado em pessoas que fazem uso de diurético, que tenham marcapasso, pinos e placas metálicas ou depois de beber café ou álcool. Crianças, mulheres grávidas ou mulheres em período menstrual também não podem fazer. O sujeito deve evacuar (ir ao banheiro) 30 minutos antes do teste e não comer ou beber nas quatro horas anteriores. Além disso, não esqueça que a avaliação deve ser repetida (reavaliação) uma no mesmo turno, dia da semana e dia do mês. Mas isso serve para todos os tipos de testes, não apenas a bioimpedância. 

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Vale a pena comprar algo que só se pode aplicar em uma pequena faixa de pessoas?

Bem, eu acredito que quem lhe vendeu não lhe disse isso, ou se disse você pode não ter escutado, pois além de não conseguir fazer um laudo sozinho pode ter problemas de audição. Mas agora está lendo, não é mesmo? Então aplique a avaliação com bioimpedância conforme as recomendações e não seja “malandrinho(a)”. 

Os resultados da bioimpedância elétrica são apresentados em dois componentes: percentual de gordura e percentual de massa magra. Se compararmos com a técnica de cinco componentes da composição corporal, chega ser covardia, não?

Cinco componentes separam a massa corporal em massa muscular, massa adiposa, massa óssea, massa residual e pele.

Você não conhece a técnica de cinco componentes?

Em breve vou fazer uma postagem sobre ela… então fica ligado(a) no blog para atualização sobre o assunto. 

O aparelho da BIA pede algumas informações como; sexo, idade, nível de atividade física, massa corporal e estatura para calcular sua composição corporal. Sabem por que é necessário colocar esses dados no equipamento? Para poder chutar, digo, estimar sua composição corporal.

Faça um teste: realize o exame em um sujeito ou em você mesmo usando os dados reais. Em seguida, mude os valores de idade ou estatura. Se o equipamento realmente mede a composição corporal, os resultados não podem mudar, correto?

Você acha que se alterar sua idade em 10 ou 20 anos, sua composição muda automaticamente para mais ou para menos?

Pegue o aparelho e repita o processo com outros dados, como 10 anos a menos, 10 cm de estatura a mais – usando o mesmo sexo. O resultado da “poderosa” BIA vai ser um valor diferente ao anterior. Isso significa que o dispositivo determina o percentual de gordura usando idade, sexo, nível de atividade física, massa corporal e estatura, e nenhuma resistência ou impedância através do corpo. E quando usa isso representa 20% do calculo. O programa (mantido pela pilha) contém uma equação de regressão múltipla que calcula sua composição corporal usando os dados inseridos e citados anteriormente.

O que estou querendo dizer sobre a bioimpedância?

O aparelho de BIA não mede sua composição corporal, ou, quando mede algo, a medida influencia 1/6 do resultado final.

Rodriguez-Bies et al. (2009) usaram uma BIA multifrequência para quantificar as alterações na água corporal de grupo de remadores de elite na Espanha. Afinal, esses equipamentos deveriam estimar a quantidade de água por meio da impedância para assim sabermos a quantidade de músculos e gordura dos sujeitos, certo?

Apesar de todos os remadores terem perdido, em média, 1,7 kg de massa corporal por desidratação, sem beber nada de líquido, o equipamento multifrequência que quantifica a água corporal total mostrou aumento na quantidade de água de alguns atletas.

Agora pense…

Não é melhor você mesmo marcar, medir e interpretar os resultados de seus atletas e pacientes de maneira correta e confiável ao invés de gastar dinheiro com algo que não ajuda em nada?

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Mude o comportamento passivo sobre a ciência! Leia os artigos usados nesse texto e você vai entender o que estou dizendo. Não se permita ser enganado por vendedores com boa lábia ou textos pseudocientíficos bem decorados…

Questione tudo! Inclusive EU… leia as referências que usei e saia da escuridão. 

Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano

Referências

NIH Consensus statement. Bioelectrical impedance analysis in body composition measurement. National Institutes of Health Technology Assessment Conference Statement. December 12-14, 1994. Nutrition. 1996 Nov- Dec;12(11-12):749-62.

Kyle UG, Bosaeus I, De Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gomez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis– part I: review of principles and methods. Clin Nutr. 2004 Oct; 23(5):1226-43.

Elisabeth Rodríguez Bies, Francis Holway, José Antonio González Jurado, Francisco Saravia, Alvaro Rodríguez Baños, Francisco José Berral de la Rosa Impedancia bioeléctrica como método para estimar cambios en los fluídos corporales en remeros. Archivos de medicina del deporte: revista de la Federación Española de Medicina del Deporte y de la Confederación Iberoamericana de Medicina del Deporte, ISSN 0212-8799, Nº. 134, 2009, págs. 421-429