Como manter a saúde dos ossos

A gente precisa cuidar da saúde dos nossos ossos.

Quem disse que é uma questão para se preocupar só na terceira idade? Isso vale para mim, para você e qualquer pessoa que pense minimamente a longo prazo… Com o tempo vem também o desgaste da nossa massa óssea. E isso merece atenção desde cedo.

Os ossos se renovam constantemente, porque são formados por osteoblastos, células que formam tecido ósseo novo, e osteoclastos, células encarregadas de reabsorver áreas velhas. Esse processo constante possibilita, por exemplo, a reconstituição dos ossos que sofrem fratura ou lesão.

Acontece que o pico da densidade óssea é determinado pelo tempo. A partir dos 30 anos mais ou menos, o esquema se inverte… A absorção das células velhas aumenta e a formação de células novas diminui. O que isso significa? Que os ossos começam a perder resistência.

Claro que isso não é sentido imediatamente, mas pode virar um problema sério mais tarde. Já sabe do que eu estou falando né? Osteoporose. A densidade óssea vai diminuindo progressivamente e isso aumenta o risco de fraturas.

É por isso que eu disse no início do texto que essa questão merece atenção desde cedo. Ainda na juventude é possível ter hábitos que podem ajudar na formação da maior massa óssea possível. O segredo é simples: cuidar da alimentação (dieta rica em cálcio principalmente), tomar sol para fixar vitamina D no organismo e se exercitar.

Essas práticas ajudam a diminuir as chances da osteoporose no futuro – mas não evitam, claro. A doença está relacionada ao envelhecimento e tem várias outras causas (como histórico de casos na família). Ela se manifesta em homens e mulheres, mas atinge especialmente o sexo feminino no período da menopausa por causa da queda na produção do estrógeno (hormônio produzido pelos ovários e liberado na primeira fase do ciclo menstrual).

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Falando em osteoporose na menopausa vejam só esse artigo publicado em janeiro no Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) avaliaram os efeitos de dieta hiperproteica e exercícios físicos de alto impacto em 64 ratas divididas em oito grupos de estudo. Parte dos animais foi submetida à cirurgia de retirada de ovários (para se assemelhar ao período da menopausa). O exercício escolhido foi o salto por reduzir a velocidade de perda óssea.

Pesquisas anteriores mostram que as dietas com excesso de proteínas têm efeitos positivos para a mineralização óssea de mulheres jovens. No entanto, no caso das mulheres mais velhas a literatura científica diz que essas dietas têm significado perda óssea. Bem, de maneira geral, os resultados do estudo da USP mostraram que a combinação entre essa alimentação e exercícios físicos não modificou os efeitos da osteoporose nos animais.

O que os pesquisadores observaram é que a alimentação com excesso de proteínas promove aumento da densidade mineral óssea, mas não torna os ossos mais fortes e pode prejudicar sua microarquitetura e resistência mecânica.

Já o exercício de alto impacto foi benéfico em todas as ratas, ovariectomizadas ou não. Ele melhorou a organização óssea principalmente em relação ao ganho de força e isso aconteceu independentemente da falta de estrogênio (menopausa) e da diminuição de densidade óssea (osteoporose). Apesar disso, não foi suficiente para acabar com os efeitos prejudiciais causados pela perda da função ovariana.

Artigo original: Effects of high‐impact exercise on the physical properties of bones of ovariectomized rats fed to a high‐protein diet

Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano

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