A relação entre privação de sono e ganho de peso

Por Rafael Genário

Quer emagrecer? Durma mais! Brincadeira, não é bem assim…

Mas, um estudo de revisão sistemática e meta-análise publicado no conceituado European Journal of Clinical Nutrition, teve como conclusão, após uma revisão literária sobre o assunto, que a privação do sono é um importante fator que se correlaciona ao ganho de peso dos indivíduos analisados. 

Resumidamente, essa ligação entre privação e ganho de peso, está relacionada concomitantemente ao aumento do consumo energético, pois não houve alteração no gasto energético total. Sendo assim, os achados da revisão, em média, mostraram que o grupo com 24 horas de privação de sono teve um saldo positivo de 385 calorias.

Mesmo com algumas limitações que podem apresentar parâmetros que interfiram em um resultado fidedigno, o estudo teve um bom design e uma revisão criteriosa na escolha dos artigos analisados.

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Outras pesquisas corroboram com esse achado, como, por exemplo, um estudo de coorte que avaliou pouco mais de 1000 voluntários. Os pesquisadores concluíram que quanto menor o tempo de sono, maior era o índice de IMC dos entrevistados. De mesma forma, os voluntários que dormiam em média cinco horas/dia, possuíam 15% menos leptina e cerca de 15% mais grelina, quando comparado aos participantes que dormiam em média oito horas/dia. Ou seja, de forma simplista, tinham um balanço menor de saciedade e maior de apetite, demonstrando uma correlação com os achados anteriores de consumo energético total. 

Mesmo indo contra o aspecto de que “pessoas que dormem mais são mais sedentárias”, alguns mecanismos fisiológicos podem explicar esses achados. Como no caso da revisão sistemática: quanto mais tempo acordado, maior foi o consumo energético total, facilitando assim um saldo energético positivo. Além disso, hoje temos o conhecimento de que alterações no ciclo circadiano considerado “normal”, podem trazer algumas modificações hormonais que permitem certas variações de comportamento alimentar e metabolismo energético. Outra hipótese é que quanto menos tempo você dorme, maior é seu cansaço e indisposição para praticar exercícios físicos e uma alimentação adequada. 

Sendo assim, olhando de forma mais crítica, os principais fatores que influenciaram esses dados obtidos, foram alterações no contexto alimentar e a dificuldade encontrada hoje em dia de praticar exercícios físicos e uma boa alimentação pelo cotidiano comum de grandes centros urbanos. Em um contexto mais amplo e analisado de forma sensata, muitos aspectos interferem no controle do peso e consumo energético, mas sendo indispensável analisar um bom descanso e principalmente a sua qualidade. 

Referências:
KHATIB, Hk Al; et al; The effects of partial sleep deprivation on energy balance: a systematic review and meta-analysis. European Journal of Clinical Nutrition (2017) 71, 614–624

Taheri, S., Lin, L., Austin, D., Young, T. & Mignot, E. Short sleep duration is associated with reduced leptin, elevated ghrelin, and increased body mass index. PLoS Med. 1, 210–217 (2004).


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Dr. Andre Lopes

Professor universitário - escritor - cientista com mais de 35 artigos publicados nacionais e internacionais, autor de 2 livros e ministrante de mais de mil cursos de extensão, especialização e certificações internacionais.

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