Fazer aeróbico em jejum emagrece?

Muita gente ainda se pergunta se o aeróbico em jejum, o AEJ, realmente potencializa a perda de gordura.

Essa dúvida é comum e, por isso, o assunto vem sendo discutido e estudado há anos. O problema é que por aí você encontra todos os tipos de resposta. Tem quem diga que sim, outros dizem que não ou então que só funciona para determinados casos…

Mas, primeiro, pense: antes de se perguntar sobre AEJ, será que essas pessoas sabem o efeito do exercício quando se está alimentado?

Muitas vezes, na busca por alternativas para emagrecer as pessoas apelam para condutas radicais quando, na verdade, o melhor seria ir atrás do que realmente vai gerar resultados positivos para o metabolismo e o corpo.

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Vamos entender isso do ponto de vista científico.

Um estudo de Vieira et al. comparou os efeitos metabólicos do exercício aeróbico feito por pessoas alimentadas e em jejum. Trata-se de uma revisão sistemática com meta-análise em que foram avaliados os resultados de oxidação da gordura durante o treino e as concentrações plasmáticas de insulina, glicose e NEFA antes e depois do exercício.

Dos 10.405 estudos identificados a partir das buscas nos bancos de dados, 23 preencheram os critérios de inclusão. Outros quatro foram adicionados após uma pesquisa manual das listas de referência desses estudos. E, destes, três foram incluídos duas vezes porque preencheram critérios de elegibilidade para dois grupos com diferentes populações. Isso significa que 30 comparações foram usadas nessa meta-análise, com 270 participantes no grupo em jejum e 269 no grupo alimentado. As sessões de exercício duraram até 120 minutos cada.

A pesquisa mostrou que exercício aeróbico com intensidade baixa e moderada feito em jejum, induz um aumento de 3,8g na oxidação da gordura quando comparado ao exercício realizado após o consumo de uma refeição com carboidrato. A concentração de NEFA praticamente não mudou entre os dois estados. Já as taxas de insulina e glicose foram maiores para o exercício alimentado. 

Portanto, “sugere-se que o exercício em jejum pode ser uma alternativa para aumentar o uso de gordura, pois a fonte de energia e o aumento de gorduras oxidadas em 3,8g durante uma sessão de exercício podem ser suficientes para induzir melhorias na sensibilidade à insulina”.

Segundo os pesquisadores, “entre as respostas primárias ao jejum estão a mobilização parcial das reservas TAG contidas no tecido adiposo e reesterificação de NEFA diminuída. Isso leva a um aumento na concentração de NEFA circulante no plasma e, consequentemente, maior disponibilidade dessa fonte de combustível para os músculos. Esses princípios fundamentais podem explicar os achados do estudo, sugerindo que, quando o exercício é realizado em jejum, a atividade lipolítica aumenta ainda mais devido à ação de hormônios estimulantes de lipólise e ação limitada de insulina”.

Agora pense nesses questionamentos:

Quanto tempo para que haja essa diferença de 3,8g? 

Sobre reservas de TGIM (triglicerídeos intramusculares): em sujeito com dieta restrita de CHO (carboidratos) isso continuaria dessa forma?

A reserva de TGIM influenciaria nos valores de mobilização/oxidação de ácidos graxos de maneira significativa?

Os efeitos agudos são iguais aos efeitos crônicos? Será que treinar em jejum durante períodos mais longos mudaria essa resposta? 

Qual o comportamento das enzimas oxidativas no ciclo de krebs e na betaoxidação? Os carreadores de acetil-coa? A biogênese mitocontrial? 

São inúmeras perguntas a serem feitas sobre o assunto!

O que sabemos até agora é que, do ponto de vista agudo, e para fins de oxidação de gordura, as vantagens são pequenas quando comparamos AEJ com exercício em estado alimentado. 

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Att. Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano